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| Rumo ao norte do Peru |
Saia do roteiro tradicional e aventure-se pela porção setentrional do Peru.
A região guarda tesouros arqueológicos que datam de 15 séculos antes de Cristo |
Fuente: Revista Host&Travel - Edición: Março 2009 / ano 6 / no 30 |
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COSTUMAMOS RECLAMAR QUANDO ALGUM ESTRANGEIRO NOS RESUME Á COMBINAÇÃO PRAIA E CARNAVAL, MAS TAMBÉM COMETEMOS NOSSAS INJUSTIÇAS TURÍSTICAS POR PURA falta de conhecimento. Quer um exemplo? Experimente dizer que vai viajar para o Peru. Nove entre dez pessoas comentarão, animadas: “Vai a Machu Picchu?” Tudo bem que se trata do atrativo mais conhecido, de beleza incontestável e faz parte da seleta lista das Novas Maravilhas do Mundo. Sem dúvida, vale a visita. Mas o terceiro país em extensão na América do Sul não pode se resumir a Machu Picchu. Uma visita ao norte, por exemplo, revela histórias e curiosidades tão interessantes quanto as que se ouve no vale sagrado dos Incas. E com menos turistas competindo pela informação.
A capital, Lima, é o ponto de partida para qualquer aventura no país. Reserve pelo menos dois dias para conhecer os atrativos da cidade fundada pelo conquistador espanhol Francisco Pizarro em 1535. A visita começa pelas ruas estreitas do centro histórico, declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 1988, com seus casarões e belos balcões de madeira. O ponto zero da cidade está na Praça Maior, centro da antiga cidade colonial, onde estão a Catedral de Lima, o Palácio do Governo e a Prefeitura.
Se olhar para o céu e percebê-lo nublado, não pense que foi falta de sorte sua: o céu de Lima é quase sempre acinzentado. Para contrastar com o eterno cinza, as construções do centro histórico abusam das cores fortes. É o caso da Basílica de Vera Cruz, com uma destacada fachada magenta, e de sua vizinha, a Igreja de São Francisco, pintada de amarelo. Construída em 1535, a basílica guarda lascas de madeira da suposta cruz de Cristo, relíquia solicitada ao Vaticano por Pizarro como instrumento para catequizar os índios. Até hoje peça é exposta aos fiéis, todo primeiro domingo de cada mês. Na Igreja de São Francisco, o que mais chama a atenção dos turistas são as famosas catacumbas, galerias subterrâneas que substituíam os cemitérios no tempo em que o Peru ainda era colônia. O conjunto arquitetônico data do século 17 e inclui um convento. |
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Optar por transporte terrestre entre Lima e Huaraz permite conhecer a Fortaleza de Paramonga, construção piramidal erguida pelos chimús por volta do ano 1100. No destino final, os turistas podem passear no Parque Nacional Huascarán, onde é comum encontrar camponeses em trajes típicos da região.
Em Huanchaco, é possível observar outra herança pré-inca que resiste até os dias de hoje: os caballos de totora. Criados pelos mochicas como embarcações de pesca, eles seguem com essa função, mas hoje também são usados em passeios turĩsticos. |
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Antes de seguir viagem e mergulhar no passado do país, não deixe de conhecer o Museu Arqueológico Rafael Larco Herrera. Fundado em 1926, reúúne uma coleção de 45 mil objetos de arte pré-colombiana, entre itens de ouro e prata, cerâmicas e tecidos. O material está organizado em galerias de forma cronológica o que facilita a compreensão de histórica do país e da sequência de dinastias que o governaram. O museu também é conhecido por sua exposição erótica, resultado de pesquisas do fundador sobre representações sexuais na arte pré-colombiana.
Muito antes do Império Inca, já existiam sociedades organizadas habitando o norte do Peru. E é na cidade de Trujillo, a 558 quilômetros de Lima, que essas descobertas começam a se transformar em históricas interessantes para quem ousa sair do roteiro tradicional. Muitas das invenções creditadas aos incas, na verdade, foram feitas por povos mais antigos e incorporadas à cultura inca pela força. Assim aconteceu com a dinastia moche ou mochica, que habitou uma vasta faixa do território peruano entre os séculos 1o e 7o e desenvolveu técnicas próprias de artesanato, pesca, agricultura e cerâmica.
As Huacas do Sol e da Lua, os mais importantes templos dessa sociedade ficam a oito quilômetros do centro de Trujillo. Acredita-se que a Huaca do Sol funcionava como centro político-administrativo, enquanto a Huaca da Lua era reservada para cerimônias religiosas. O sistema construtivo dos templos denota o avanço intelectual desse povo. “As paredes eram formadas por blocos sólidos de adobe com pequenos vãos entre eles, uma antiga e eficaz tecnologia antissísmica”, explica o guia de turismo Hernán Eduardo Pozada Campeña. A entrada da população era restrita a alguns locais e o controle era realizado com a ajuda da arquitetura. Largas praças se comunicavam a outras salas por corredores cada vez mais estreitos. Assim, era possível autorizar (ou não) a entrada em recintos cerimoniais (ou não) a entrada em recintos cerimoniais restritos aos membros da elite.
Uma parceria público-privada mantém o local e permite visitas guiadas pelos salões sobrepostos da Huaca da Lua. Logo na entrada está a praça principal, onde eram feitos os sacrifícios a Ai-Apaec, o Deus Degolador. “A sociedade mochica acreditava em um mundo dual, onde o bem só existia com o mal, o sol com a lua, a vida com a morte”, argumenta. A representação do Deus e dos rituais de degolamento podem ser observados nos vários murais em bom estado de conservação.
Com o declínio da dinastia mochica, uma nova sociedade começa a dominar a região e permanece no comando entre os séculos 8o e 14. Trata-se da cultura chimú que construiu uma cidade de barro e a transformou em capital do novo reino. A tal cidade leva o nome de Chan Chan, abrigou cerca de 100 mil pessoas e suas ruínas persistem até hoje a cinco quilômetros de Trujillo. O conjunto foi declarado patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 1986 e é ponto de parada obrigatória. |
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Em Lima, a atenção dos turistas se divide entre os sítios arqueológicos e a arquitetura do centro histórico. Se conseguir o convite de um sócio, suba a um dos balcões do tradicional Club de la Unión para ter uma vista privilegiada da Praça Maior. Seguindo para o norte, não deixe de conhecer dos importantes espaços histórico-culturais peruanos: o Museu Chavín de Huantar e o Museu Nacional das Tumbas Reais do Senhor Sipán. O primeiro reúne peças produzidas pelos chavin como as famosas Cabezas Clavas que adornavam a fachada do templo. O segundo guarda tesouros dos mochicas, como o colar datado do início da era Cristã. |
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> > > O SENHOR DE SIPÁN
Para conhecer o museu mais representativo da cultura mochica, o viajante precisa se deslocar mais duzentos quilômetros ao norte de Trujillo, rumo à cidade de Chiclayo. Em 1987, um grupo de arqueólogos descobriu ali um tesouro incalculável: uma tumba con restos mortais intactos de um homem. A forma como estava enterrado, suas vestimentas e as jóias que ostentava davam pistas de que se tratava de um alto governante mochica.
Em 2002 foi erguido o espaço que leva seu nome: Museu Nacional Tumbas Reais do Senhor Sipán. «Diferente do que muitos pensam, Sipán não era o nome do governante ou da cultura, mas do local onde foi encontrado», elucida o guia de turismo Hernán Eduardo Pozada Capaña. Considerado um dos mais modernos museus peruanos, guarda relíquias como cerâmicas, jóias em ouro, prata e pedrarias, colares de conchas, estandartes de cobre, imagens de deuses, itens de vestuário e ferramentas, peças que ajudam a elucidar mais detalhes do modo de vida dessa sociedade.
Em uma das salas mais concorridas, um quadro revela como funcionava o sepultamento de um governante, sempre acompanhado de uma corte e de todos os seus pertences para que, segundo a crença, conseguisse provar sua importância na nova vida. Um guardião o velava e tinha os pés amputados para que não escapasse com os tesouros.
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Passear pelas ruínas de Chan Chan é se perder em um labirinto limitado por altas muralhas, onde se podem observar resquícios do que eram residências, praças, templos destinados a rituais, salões funerários e outras construções. As paredes são enfeitadas com desenhos de peixes, aves, roedores, figuras geométricas, ondulações que remetem ao mar e representações de seres mitológicos. Desenhos semelhantes podem ser encontrados na Huaca Dragão ou Arco íris, outra emblemática construção chimú. A pirâmide tem base quadrangular e o acesso é bem diferente do que se vê nos templos construídos pelos mochicas.
Entretanto, os resquícios mais antigos de civilizações pré-colombianas estão em Chavin de Huantar, pequena cidade no centro do país. O mais provável é que o domínio chavin tenha se fixado na região por volta do ano 1500 antes de Cristo, mas estudiosos acreditam que a cultura possa datar de um período ainda mais remoto: 5000a.C. O complexo arqueológico fica a cerca de cinco horas de distância de Lima e guarda um registro ímpar da passagem desse povo pelo Peru.
Acredita-se que o local era um centro religioso frequentado por peregrinos que desejavam fazer oferendas ou ter notícias sobre o tempo para o trabalho na lavoura. Evidências provam que os sacerdotes dessa cultura entendiam de astronomia e monitoravam as épocas de plantio e colheita pela observação das estrelas. O templo exibe muros de pedra, estruturas piramidais, salas para diversas finalidades, algumas certezas e outras dúvidas, que seguem sendo estudadas por arqueólogos peruanos e norte-americanos até hoje. um desses mistérios ainda não decifrados é o motivo que levou á queda dessa sociedades. Para isso, os estudiosos ainda não têm pistas. |
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A 558 quilômetros de Lima, Trujillo preserva ruínas, resquícios e tradições de culturas pré-incas. É lá que fica Chan Chan, a maior cidade de barro do mundo e antiga capital do reino chimú. Nessa região também está Puerto Chicama, praia famosa entre os surfistas por ter a onda esquerda mais longa do mundo. |
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> > > AVENTURE-SE
A três horas de Chavin de Huantar está a cidade de HUARAZ, porta de entrada para a Cordilheira Branca (foto) e imperdível para os amantes de esportes radicais, Quem não está acostumado a altitude deve reservar pelo menos um dia para se aclimatar ou está arriscado a sofrer o terrível soroche. O mal de altura existe mesmo e é causado pela falta de oxigênio no cérebro, o que costuma acontecer quando se ultrapassa os dois mil metros sobre o nível do mar. Provoca fortes dores de cabeça, náuseas, falta de apetite e palpitações.
Quem não quer arriscar uma subida, deve ao menos fazer a visita de um da ao PARQUE NACIONAL HUASCARÁN, reserva criada em 1975 para conservação da flora, fauna e formação geológica local. Com 340 mil hectares de extensão, o parque compreende quase toda a Cordilheira Branca, a cadeia montanhas nevadas, a mais alta (Huascarãn) com 6.768 m. Alem dos picos nevados, o parque concentra 296 lagoas - como as belas ORKONCOCHA e CHINANCOCHA – e proporciona paisagens deslumbrantes mesmo para os turistas de um dia só. Dentro do parque é permitida a prática de canoagem, mountain bike e trekking, sempre acompanhada por guias locais para garantir a segurança. Um dos roteiros mais procurados é do da Lagoa 69 que começa sobre rodas Veículos 4 x 4 levam os turistas até PORTACHUELO DE LLANGANUCO, a 4.768 m, que oferece uma vista panorâmica de seis picos nevados. Enquanto a equipe de apoio monta o acampamento em Cebollapampa, uma campina rodeada de bosques, o grupo caminha por cerca de quatro horas pelas montanhas passando por lagoas e riachos até chegar à área de camping, onde é servido o jantar.
No dia seguinte, bem cedo, a caminhada recomeça com destino às águas turquesas da LAGOA 69, a 4.400 m de altitude. O trajeto dura entre quatro e cinco horas, dependendo do preparo físico do grupo. Na volta ao camping os carros esperam os turistas para o retorno a Huaraz. A melhor época para visitar a região inicia em maio e termina em setembro. |
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